Microrrobôs espaciais ajudam a prevenir infartos e derrames

Entrando pelo cano

Microrrobôs espaciais vão prevenir infartos e derrames
Protótipos dos microrrobôs espaciais, atuando conjuntamente para monitorar o interior de tubulações em uma estação espacial do futuro.

Graças à ideia de usar enxames de pequenos robôs  para trabalhar em uma estação espacial do futuro, pacientes cardíacos aqui na Terra estão prestes a ter acesso a um kit de exame caseiro para prevenção de coágulos sanguíneos.

Há quinze anos, o então estudante Vladislav Djakov começou a construir estas pequenas criaturas microeletromecânicas, que imitam os enxames de insetos encontrados na natureza.

Equipados com fonte de energia própria, inteligência artificial e sistemas de monitoramento, os microrrobôs seriam suficientemente pequenos para transportar materiais e vasculhar locais de difícil acesso, como tubulações de transporte de líquidos e gases na estação espacial.

Eles inicialmente serviriam para monitorar alterações na temperatura ou no escoamento, alertando sobre avarias iminentes.

Para fazer mover os insetos-robôs, os cientistas cobriram uma das faces do corpo do robô - essencialmente um microchip - com pequenos braços, inspirados nos cílios usados por algumas criaturas do fundo do mar para se movimentar.

"Eles poderiam então mover-se como milípedes," disse Djakov, atualmente à frente de sua própria empresa emergente, a Microvisk Technologies.

Microrrobôs espaciais vão prevenir infartos e derrames
Cada microrrobô é na verdade um MEMS, um sistema microeletromecânico, inteiramente contido em um chip.

Movimento ciliar

No entanto, os insetos espaciais estavam à frente do seu tempo quando foram sugeridos, e ainda não passaram da fase de testes.

A abordagem por imitação dos cílios, por outro lado, avançou um pouco mais.

Com o apoio do braço de transferência de tecnologia da agência espacial europeia (ESA), Djakov está explorando o potencial de sua ideia para o mercado médico.

A equipe de Djakov ajustou os mecanismos dos microchips e adicionou sensores nos "braços" de movimentação, dando-lhes sensibilidade, quase como bigodes de gato.

Estes bigodes mostraram-se muito eficazes no monitoramento de líquidos, sem precisar estar mergulhados nele.

Eles conseguem detectar, por exemplo, alterações na viscosidade do líquido, além de identificar materiais em suspensão.

"Isto é muito interessante para estudar o sangue, plasma, e outros fluidos corporais," disse Djakov.

Microrrobôs espaciais vão prevenir infartos e derrames
A tecnologia dos microrrobôs foi transposta para analisar amostras de sangue, podendo prevenir tromboses, acidentes vasculares cerebrais e infartos. [Imagem: Microvisk Ltd]

Coagulômetro

Atualmente, a empresa emergente está colocando suas fichas em um aparelho de monitoramento da coagulação sanguínea para pacientes que tomam medicamentos anti-coagulação: "É como um teste de diabetes, só que voltado para a trombose."

Graças a este medidor de coagulação, batizado de CoagLite, os pacientes poderão em breve fazer eles mesmos os testes, em casa.

Novamente mostrando que os microrrobôs submarinos estão à frente de seu tempo, eles ainda não vão navegar pelas veias do paciente: eles vão analisar uma gota de sangue retirada por uma picada no dedo.

A gota é colocada em uma pequena câmara nas tiras de teste, quando então entra em ação o pequeno sensor com inteligência artificial, que acompanha a velocidade de coagulação da amostra.

Atualmente em ensaios clínicos, sob análise da agência reguladora norte-americana (FDA - Food and Drug Administration), o coagulômetro deverá estar no mercado no próximo ano.

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